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Amazing days

"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

Amazing days

"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

Seg | 30.04.18

iEra

Beatriz LA

Vivemos numa época em que tudo começa por i. iPad , iPhone , iTunes... , ou pelo menos tudo o que a miudagem quer.  É a iEra! E nós pais que crescemos numa época em que nem computadores havia temos que nos adaptar. Comecei a mexer em computadores já na universidade, lembro-me que só um professor pedia os trabalhos desta forma e lá foi o fim dos gráficos em papel milimétrico. Aos poucos fomos evoluindo. Telemóvel? sim, mas só para fazer chamadas, com teclas, e enviar sms. coisa muito rudimentar. Quando conto isto ao meu filho hoje com 10 anos faz uma cara como se eu e o pai tivessemos vivido na pré-história! Mas foi mesmo assim. Mas temos a capacidade de nos adaptarmos rapidamente e com estas tecnologias não foi exceção. Também a minha geração se tornou rapidamente dependente do computador, telemóvel e internet. Aliás se ficamos sem rede começamos a entrar em stress e a descompensar. 

E se damos estes exemplos aos nossos filhos, o que esperamos em troca? que brinquem com carrinhos e bonecas até aos 20 anos? claro que não! Eles reproduzem os nossos comportamentos e como tal também vão ficar agarrados a estes vicios das i-tecnologias, ao ponto de o pedido do meu filho para prenda de aniversário ser um iPhone!   - Meu querido filho, eu também fiquei fã desta maçã ratada, mas aos 11 anos parece-me um pouco cedo, não?! 

Ora bem, preocupado com estas coisas, o Prof. Daniel Sampaio publicou este mês de abril um novo livro sobre o tema. "Do telemóvel para o Mundo". E é mesmo isso. basta um telemóvel (com rede, sempre com rede) e sentimos que estamos ligados ao Mundo! O livro reporta casos reais, de forma a não se conseguir identificar os implicados, claro está, mas segundo o especialista, poderemos usar a internet para aproximar gerações. Para isso, as crianças devem ser habituadas desde cedo a usar tudo isto e deve haver regras - aplicáveis aos filhos mas também aos pais. Nada de ver emails nem facebook às refeições, assim como no periodo da manhã quando a malta se prepara para sair para a escola, nem na hora de ir dormir. 

Bem, não estando totalmente tranquila com o tempo que passamos agarrados as estas coisas cá por casa, já começo a achar menos provável ter que marcar consulta. Afinal cumprimos estes principios (ou tentamos vá) para que depois do jantar já não haja iPad nem net.  E segundo o prof. Daniel Sampaio temos que aprender a viver com estas ofertas.

Dificil mesmo é competir entre jogos, youtube e LIVROS! Sim, aqueles objetos cheios de folhas que há lá por casa aos magotes, mas que dá um trabalhão termos de juntar aqueles milhões de letras para construir palavras e depois frases. Esta batalha tem sido dificil mas não a dei por vencida. Tem que ler nem que seja obrigado se quiser ver todos os seus  youtubers (sob a vigilancia possivel, porque alguns benza-os Deus) e jogos sejam eles na net ou PS4. A irmã já vai ouvindo o recado, mas para já ainda temos que ser nós a ler a historia ao final do dia.

 

 

 

Sex | 27.04.18

Vila Nova de Milfontes em época baixa

Beatriz LA

Aproveitámos o feriado para ir apanhar um pouco de sol e vêr o MAR!! Isto de viver no interior tem coisas boas mas falta-me o mar, definitivamente.

Fomos até Vila Nova de Milfontes, pouco mais de uma hora de viagem, o que é bom por causa dos miudos e evita a fatifica questão Quando chegamos? Falta muito? que se ouve repetidamente em viagens longas.

Não só deu para matar sauddaes do mar, como tinhamos o areal praticamente por nossa conta, o que lhes permitiu saltar, brincar e fazer o que quisessem e ainda passearmos pela vila enquanto comiamos um belo gelado da Mabi.

É bom descobrir estes lugares em época baixa, sem o bulicio do verão e com tudo apinhado de gente.

O que já não foi tão bom foi o almoço. Escolhemos a tasca do Celso, mas correu mesmo mal! Duas horas à espera para sermos servidos, ainda por cima a comida veio a conta-gostas, não trouxeram as doses todas ao mesmo tempo e depois de termos reclamado pela espera, quando trouxeram a conta vieram com um pedido de desculpas e uma "atençao" nos preços.Pena que a atenção não fosse a nosso favor, pois uma dose de 20€ (o restaurante não é propriamente barato) estava na conta a 68€, pouca diferença, portanto! Lá chamamos a atenção e lá fizeram a correção. Posto isto, não fiquei com grande vontade de lá voltar, como se compreenderá, mas o resto do dia valeu muito a pena e voltei ao trabalho com energia renovada e boa disposição!

 

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No final do dia, ainda houve tempo para passar no cabo Girão e aproveitar um pouco da paisagem e fazer uma pequena caminhada 

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Qui | 26.04.18

Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro

Beatriz LA

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Quantas vezes não tomamos decisões na nossa vida, convencidos de que são as melhores opções? Quantas vezes não tomamos mais tarde consciência  de que falhámos, de que tomámos a opção errada? Quantas vezes não temos que carregar com o peso que essa escolha implicou na nossa vida para sempre?

Pois este livro fala disso mesmo, das escolhas que temos que fazer ao longo da vida, dos caminhos que a vida nos mostra e se conseguimos lidar com as (más) escolhas que fazemos. mas também fala de entrega e devoção, das certezas do momento em fazer as escolhas certas e assumir essa escolha até ao final com toda a dedicação, ainda que anos mais tarde, em retrospectiva, tomemos consciencia dessas más escolhas. Teremos capacidade para perdoar e para nos perdoar?

 

Foi sem duvida um excelente livro. O unico que li até agora de Kazuo Ishiguro, mas que me deixou vontade de ler outros. 

Qui | 26.04.18

25 de Abril, dia da liberdade e de dias bons

Beatriz LA

Ontem foi dia 25 de abril. Dia da Liberdade.

Graças à coragem de muitos eu já não soube como foi viver em didatura, pelo que lhes estarei eternamente grata. Por mim e pelos meus.

Mas por ter nascido em junho, logo após o fim da didatura, senti em alguns momentos que ela ainda estava presente nos meus primeiros anos. Lembro-me de o meu pai ainda não querer assumir publicamente algumas posições porque poderiam não ser benéficas, lembro-me do Sr. Professor Salvador que não sendo o meu professor primário, também me ficou na memória.

Frequentei uma escola primária tipica da "era Salazar". Duas salas no rés-do-chão e outras duas no primeiro andar.  A minha professora embora tivesse vivido no periodo antes 25 abril de 74, rapidamente se adaptou e embora com respeito, havia alguma liberdade na nossa sala de aula. Mas com o Professor Salvador tudo era diferente. continuava a chegar à escola impecavelmente vestido de fato e gravata, não me lembro de alguma vez o ter visto rir (ou sorrir que fosse) e quando o professor entrava na sala todos os alunos tinham que se levantar e cantar o hino de Portugal.

Ora para crianças de 6 ou 7 anos que não estavam nada habituados a este rigor, isto pareceu no minimo estranho quando uma vez a minha professora faltou e tivemos que rumar à sala em frente. Pareciamos uns extraterrestres a olhar uns para os outros com uma vontade de rir enorme, mas sabiamos que nem podiamos tentar tal audácia.

Ontem lembrei-me desta história e contei-a ao pequeno-almoço. O meu filho, agora com quase 11 anos, já nascido no sec. XXI, embora saiba que ainda há ditaduras, achou que eu estava a contar uma anedota. Parecia-lhe impossivel que tal pudesse ter acontecido num passado afinal ainda tão recente.

Não sou de grandes comemorações públicas, porque também não gosto de grandes confusões. Mas compreendo que haja quem sinta ainda a necessidade de comemorar esta Liberdade, que tenha vivido boa parte da sua vida sobre um regime austero em que quase nada lhes era permitido. É história, mas é uma história muito recente no nosso País que está bem presente na memoria de várias gerações - uns porque a viveram na primeira pessoa, outros como eu, que já só viveram algumas influências e que ouviram pais e avós contar o que viveram e o que viram outros passar, a opressão e o medo. 

Ontem foi dia 25 de Abril e a mim só me resta dizer obrigada e continuar a defender a democracia!

 

Sab | 07.04.18

Terra Abençoada

Beatriz LA

Mais um dos livros que aqui andava à espera de ser lido. Não sei qual a razão porque foi sendo preterido, se é que tem que haver uma razão. Mas a verdade é que foi ficando a aguardar vez que chegou e em boa hora. Os ultimos dois livros não me agarraram com a intensidade que gosto e Terra Abençoada superou todas as expectativas (não tinha pesquisado nada sobre o livro como aliás faço sempre, para que não vá condicionada por opiniões de outros leitores). 

 

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Sem querer entrar em detalhes para não condicionar que possa eventualmente ler este post, é uma historia que embora escrita em 1930 me pareceu ainda proxima da atualidade, em alguns casos. Um homem pobre, que tinha tudo para morrer pobre, teve visão e inteligencia suficientes para, contra todas as expectativas, vencer na vida á custa de muito trabalho é certo. Mas como tantas vezes acontece, as gerações seguintes são menos dedicadas ao trabalho e mais ao ócio e os problemas começam.