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Amazing days

"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

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"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

A maternidade está no ADN?

Ontem foi dia da Mãe!

Dar á luz, seja de que forma for, é maravilhoso. A gravidez do primeiro filho é sempre uma grande ansiedade, as outras já nem tanto, que culmina num momento por vezes bastante doloroso mas igualmente prazeiroso de termos o nosso filho em nossos braços.

Começam então outras angustias e outros medos. Serei boa mãe? Serei capaz de entender as suas necessidades? Estarei à altura deste papel tão importante? Pois penso que são duvidas que me acompanharão sempre. Se há alturas em que penso que sou boa mãe outras acho que sou uma mãe horrivel, sem tempo nem paciencia nenhuma, muitas vezes por motivos que nem tem a ver com os próprios, mas que acabam por levar por tabela. Sinto-me mal mas por vezes já sem energia para voltar atrás, outras vezes ainda a tempo de respirar fundo, ganhar novo folego e tentar emendar o disparate. Receber um abraço ou um beijo inesperado faz-me sorrir e pensar que afinal pode não estar a correr mal.

Sou de uma geração de transição, que já não vê a maternidade como algo obrigatório para a condição de mulher, mas que também não é assim tão desprendida dessa condição, talvez ainda por influencia da geração anterior e da pressão social.

Não acredito no entanto que todas nós mulheres, independentemente do periodo em que nascemos, tenhamos uma necessidade e apetencia inatas para sermos mães e sintamos esse "chamamento" obrigatório.

Olho para a minha filha e vejo-a brincar com as bonecas. Há ali muito carinho, beijinhos, miminhos. Mas não será apenas a reprodução do que fazemos com ela? Será que no caso de crianças maltratadas (porque as há, infelizmente) e sujeitas a conflitos e ambientes menos tranquilos, não replicam também elas esses comportamentos menos bons nas suas brincadeiras? 

Teremos mais jeito natural para entender e tratar dos bebes do que os homens? Talvez, mas isso não significa que seremos melhores mães do que eles serão pais.

Para se ser mãe é preciso ter capacidade para uma certa abenegação de nós próprias. Não significa isso deixar de gostar de nós, pelo contrário. Quem não gosta de si não conseguirá gostar de outro. Mas rapidamente passamos para segundo ou terceiro plano. São as prioridades deles que contam e só depois as nossas. E fazemo-lo de forma absolutamente natural, sem questionar sequer.sem pestanejar.

Mas estaremos todas nós mulheres dispostas a isso? Não creio! E não condeno!

Todas temos o direito de decidir o que queremos, de fazer escolhas e esta é, sem duvida uma delas. Quem não sente essa necessidade deve aceitar isso e não auto-convencer-se de que ter filhos é que é espectacular. Porque o é de facto, mas para quem assim quer viver. 

Do mesmo modo, quem luta para ter um filho com recurso a tratamentos hormonais dolorosissimos, que alteram o seu modo de vida, de estar, de ser até, deve ser compreendido e respeitado.

Na vida nem tudo é branco ou preto. Há muitos cinzentos, só temos que conseguir ver através deles.