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Amazing days

"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

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"A vida é fascinante, só é preciso olha-la através das lentes corretas" (Alexandre Dumas)

16.Mai.18

Alentejo Andaluz

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A paisagem alentejana, embora ainda feita de pastagens, cereais e montado, está a mudar. E muda a olhos vistos, a uma velocidade hilariante.

Percorremos kms e kms de estrada e só vimos olival, à semelhança do que acontece na Andaluzia. Mas não é um olival qualquer. É olival intensivo (ou semi-intensivo em alguns casos), plantado e explorados pelos "nuestros hermanos" que resolveram conquistar o território português não com batalhas como outrora mas com compra de herdades. Terras produtivas e com água - neste aspecto a área infraestruturada pela EDIA e com possibilidade de regar com água de Alqueva, ajuda bastante. Valor não se discute muito. 

Quem fica bem? o proprietário que vende, pois se orientar bem o dinheiro ainda deixará bem as gerações seguintes.

A compra de sistemas de rega e outros bens necessários, como viaturas, vêm de Espanha e a mão de obra é romena, moldava e de outros países piores que o nosso, mas que segundo se diz no jornal local, é escravizada sem que o SEF consiga pôr mão no assunto.É muito triste ver que a escravatura afinal ainda existe, que está no nosso país bem instalada e que ninguém faz nada.

E o que fica no Alentejo? Muito pouco ou nada. Diria mesmo que não vai ficar nada! A produtividade dos solos ficará esgotada não tardará muito, tornando-os infertéis. A água, já escassa na região, é usada para regar as extensas áreas deste olival de regadio, recorrendo não só a Alqueva quando há infraestruturas na zona, mas também com recurso à exploração de águas subterrâneas.

A desertificação do Alentejo, de que tanto se fala, e já iniciado com a campanha dos cereais na época de Salazar, não se traduzirá na invasão dos camelos vindos do Sahara, mas sim neste empobrecimento de solos e uso de água desmedido, que não permitirá que os que por aqui vivem se mantenham. O tempo o dirá, mas tudo indica que o futuro do baixo alentejo não será risonho.